Passado contínuo.

by - dezembro 03, 2009


Mais uma vez, espero que pela última, escrevo sobre você. Um ano, 12 meses, 365 dias, como preferir; o tempo passou mais rápido do que nós esperávamos, na verdade, mais rápido do que eu esperava, já que você nunca sofreu essa espera. Você nunca sentiu as palpitações e arritmias que senti, nunca soluçou aos prantos pelo simples fato de ver palavras sendo ditas à outra da mesma forma como um dia foram ditas à mim. Você nunca quis saber e, assim como eu, deixou que isso se tornasse apenas um belo pedaço do passado, que ainda vive, mas em outra dimensão, talvez somente dentro do meu universo paralelo.

Aos poucos, sinto minha aptidão para falar de você, esvaindo-se por qualquer ponta de esquina, escorrendo por qualquer boeiro imundo e transbordado de recordações. De alguma forma, acabei me conformando com o fato de ser o singular de uma história que tinha tudo para ser eternamente plural. Sei que o amor próprio não terá um abraço envolvente como o teu, um beijo sensível e um amor na medida certa, mas será o amor-próprio, certamente, se é que restou algum, que me fará aprender com tantos equívocos, tantos tropeços.

Eu havia feito a promessa para mim mesma, prometi que após um ano, lavaria minha alma e meu coração, retiraria cada pedaço seu que houvesse restado em mim, e aqui, o faço. Para muitos, não há uma gota sequer de racionalidade ou algo concreto que possa explicar isso tudo; guardei tua imagem com ternura em mim até que me sentisse pronta para encerrar um ciclo de recuperação comigo mesma.

Há alguns dias, tua imagem veio à mim como há muito não podia ver, o problema disso tudo foi aquele olhar, o fato de estarmos tão perto, os dois virados olhando um pro outro para ver quem falava primeiro. Adivinha quem falou? É, meu orgulho sempre falou mais alto. Talvez eu também tenha aprendido isso com você, ignorar o fato de ter havido um passado bonito e incrivelmente feliz entre nós.

Aqui está, minha carta de redenção. Acabou pra mim. Desisto de olhar pela sacada esperando por um vestígio da tua presença, desisto de procurar, tentar entender ou sacrificar o que restou de dignidade em mim. É isso, como eu já disse em outra oportunidade: as flores te esperaram por muito tempo, a porta esteve aberta, assim como o meu coração. A brisa entrou, as flores murcharam e o coração há tempos se fechou.

Chegou a hora de abrí-lo novamente, abrí-lo para um mundo que, ao contrário de você, sempre esteve escancarado pra mim e nunca, repito: nunca, rejeitou uma oportunidade (mesmo que mísera) de felicidade.


You May Also Like

0 comentários

Obrigada por chegar até aqui. Não vá embora sem dividir algo comigo.