Retalhos de amor

by - agosto 28, 2010


Eu andei vestida com o meu melhor sorriso. Todos os dias, fui de encontro à algo que eu acreditava estar sempre no mesmo lugar. Esse algo era você. Teci você nos meus lençois, nas minhas toalhas, roupas, no meu coração. Mas você os retalhou. Eu colhi flores do campo e deixei-as sobre a mesa como fazia todos os dias. Elas te esperaram, e eu também. Mas você nunca, jamais apareceu. E elas estavam lá até certo dia, murchas, doloridas por um amor não dado. Amor guardado estraga, perde a validade e demorou pra elas, pra mim e o resto do mundo saber disso. Voltei todos os dias desde então à praia onde nos conhecemos, depositei a cada dia uma das flores murchas e prometi que ao final, você teria ido embora com cada uma delas. Você sabe que costumo cumprir promessas - ao contrário de você - eu sempre cumpro.
Saiba que a minha felicidade de hoje não é para que você se sinta detestável, embora você mereça sentir-se assim, não é o que eu quero. As flores ainda estão lá, mas eu, não mais. Hoje, não colho mais flores, pois as recebo de um outro alguém. Guardo os meus sorrisos para quem os provoca, minhas palavras para quem as escuta, minhas dores para quem as compartilha comigo. Quanto ao meu coração, vai bem, obrigada. Já não se faz mais em retalhos, pois encontrou alguém que costurasse os rasgos que você provocou. Essa é a última carta que lhe dedico, pois, como já disse, eu cumpro promessas. Exceto a de te amar eternamente, pois você não me deixou cumprir.

You May Also Like

2 comentários

  1. Impossível o 'destinatário' não se sentir detestável com essa última carta... Ainda mais por não ter deixado cumprir uma promessa tão linda...

    O bom da vida é que sempre aparece alguém que remenda nossas dores e motiva novas e maravilhosas promessas...

    ResponderExcluir
  2. Oiiioioi, saudades do teu blog! Adorei esse texto! é isso ah gaurde o teu amor, para quem mereça! O Beijo e passa la

    ResponderExcluir

Obrigada por chegar até aqui. Não vá embora sem dividir algo comigo.