Alguém

by - fevereiro 15, 2012

Para ler ao som de "Avenged Sevenfold - Dear God".

Um amor que compense as unhas roídas e as inúmeras vezes em que nos sentimos deslocados, fora do eixo. É tão bom se sentir parte de alguma coisa, se sentir amado, incluso. Talvez por isso família e amigos sejam tão importantes, porque nos fazem sentir que, sem nós, nada funcionaria. Com o amor é do mesmo jeito.
Um amor com cheiro de roupa limpa, com mãos dadas, pensamentos que se cruzam entre o trabalho, as tarefas e o sorriso lindo que ele te dá quando percebe que você sente ciúmes. Um amor pra vestir a camisa nos clichês e nos momentos incomuns, pra seguir abraçado nos dias frios e nem tanto, nos dias de verão. Um amor pra encostar a cabeça e se importar em te ouvir falar do quanto você fica triste com alguma coisa ou pelo tanto que esperou por ele. Um amor desses com gosto de comédia romântica, mas não daquelas que te vendem uma imagem pronta de que o amor é sempre lindo e cheio de frases feitas: um real, de carne osso e cravinhos no rosto pra espremer. E ruguinhas na testa quando faz cara de cachorrinho molhado pra te convencer a ficar mais um minuto por perto. E aquela voz que te diz coisas capazes de te transportar mentalmente para uma realidade tão mais linda que a sua. 
Alguém que se importe com aquela sua rinite que ninguém leva a sério. Que saiba que o seu suco preferido é de acerola, mas você aceita tomar até refrigerante de limão se for preciso. Que saiba que você ama ano novo, sonha beijar na chuva e, ao discutir, não quer que ele vá embora bravo, mas que fique, permaneça e continue sempre por perto. Que seja seu pote de ouro no fim do arco-íris. Que saiba que você está ali na alegria e na tristeza e que esteja ali por você também, sem que para isso alianças de compromisso ou um casamento precise ditar as regras da relação.
Um amor sem rédeas, sem grades, sem algemas, sem restrição pra tudo, sem aquela história de "amor-posso-ir-para-tal-lugar-e-voltar-tal-hora?", sem segredos demais, sem sinceridade demais. Com as doses certas. Com a cumplicidade e o respeito certos.
Um amor pros percursos esburacados e para as pistas livres. Para as manhãs de domingo, para os sábados à noite e às quartas à tarde. Um amor longe da medida, do roteiro, do script, da resposta certa, da alternativa escolhida, dos moldes, das formas, dos finais felizes, e antes e acima de tudo, perto, muito perto de você. E do seu coração. Ah, e se você der sorte, muita sorte: perto, ao mesmo tempo, dos seus sonhos e da realidade.

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