Crescendo sem pilhas.

by - fevereiro 15, 2012

Se eu soubesse que crescer seria o mesmo que abrir mão de, pelo menos, metade das minhas vontades, eu teria permanecido estática, escondida com a minha boneca embaixo da cama. Se eu soubesse que tudo demandaria tempo e responsabilidade de mim, teria me deliciado um pouco mais com o dom de não fazer nada, de andar sem destino, de sentir a brisa leve bater no rosto, experimentaria mais e viveria clichês aos quais não me permiti. Parece que quanto mais a gente cresce, mais as pessoas querem nos levar a sério. Parece não, acontece. É como se a gente não se levasse a sério o suficiente, ao ponto de esperar que o outro nos passasse a segurança de saber o que está fazendo, para onde está indo, que tem o controle de tudo.
Meu controle ficou na infância. As pilhas acabaram. Quando cresci, trouxe comigo apenas a sede de independência, liberdade, de viver com plenitude. Mal sabia eu que o tempo de tudo isso era a infância. Que devo ficar grata, hoje, se me sobrar tempo para escrever um texto e tomar uma xícara de café. Que devo ficar absurdamente feliz por passar incontáveis horas do meu dia dedicada a ver nos livros algo que não me desperta paixão, e que devo aprender que, no mundo, nem sempre se ama o que se faz. E que é preciso conviver com isso para pagar as contas.

É, agora me diz, e as contas das minhas ilusões, quem paga?

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1 comentários

  1. Oi, Lari!!!
    Que bom que retornou com seus lindos textos!
    :D

    A propósito: se você achar esse devedor e ele finalmente te pagar, se apresse em me dizer quem é, por favor!!!

    Bjs!
    .

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