A pessoa certa na hora errada.

by - fevereiro 18, 2012

Eu sei, eu sei, a frase do título é um lambuzado clichê. E eu também concordava com isso e com o elevado teor de base para uma boa desculpa sobre não querer alguém que essa expressão dava, mas hoje mudei radicalmente de opinião. E é sempre assim: a vida te bota de frente com algo que você jamais imaginava e muda seus conceitos sobre um bocado de coisa.
A pessoa certa na hora errada você reconhece de cara. É aquela que deseja o toque, mas o evita. Aquela que cruza o olhar, entrelaça, fixa, se perde nele, mas também deixa exalar no fundo que não pode mais do que aquilo. A pessoa certa na hora errada é aquela que tem um jeito único de passar as mãos no cabelo e sorrir de lado. A pessoa certa na hora errada sabe fazer rir, sabe calar, manter-se perto e distante na medida da conveniência de uma situação. A pessoa certa na hora errada é aquela que você já conhece de outros carnavais, de outros sonhos e amores platônicos, é aquela figurinha que faltou ser preenchida e que dá um aperto no coração só de imaginar que ainda não poderá ser - e sabe Deus se um dia poderá.
Um nó na garganta, mãos inquietas, coração nem se fala. Sensações que você descrevia ao imaginar a presença dessa pessoa e que só se intensificam quando você está perto dela. O cheiro, o jeito, o sorriso, todos os clichês possíveis de quando alguém se apaixona estavam presentes, menos o final feliz.
A pessoa certa na hora errada é como o próprio nome diz, ele, aquele, o habitante dos seus sonhos e das suas súplicas, mas que, infelizmente, - e só eu sei como me dói esse infelizmente - tem outra pessoa; que pode até ser a errada, mas chegou na hora certa.
Um amor platônico que virou real e se materializou com a presença, com o toque, mas que voltou a ser platônico e dolorido, como numa passe de mágica, quando soube que tinha alguém já cuidando daquele sorriso. E eu, com meu coração calejado e calado, sigo longe de qualquer certeza e reprimindo sonhos e desejos, como sempre fiz. Mas desta vez é diferente. Desta vez as coisas saíram do plano da imaginação, se tornaram palpáveis, donas de um desejo absurdo, um misto de estranhamento, satisfação e felicidade. Um misto de tanta coisa. Uma vontade de ter por perto...
A hora certa chegou atrasada e outra vez a hora errada foi atendida primeiro. Seria comum e até mesmo indiferente se, desta vez, não fosse ele, justo ele, logo ele.
Alimentei esperanças que poluíram o meu jardim de ervas daninhas. Decidi cortar o mal pela raiz, simples assim. Mas descobri que, como nem tudo no amor é jardinagem, minha espera continuará cristalizada, meu desejo sufocando e as ervas daninhas me consumindo.

Avisa pra quem quiser saber: é o amor de novo...

E seria o fim desse texto se o 'gran finale' não se pronunciasse logo mais, aqui na janela, deixando escorrer todo esse sentimento em águas cada vez mais profundas: um gole de chuva no sertão, lágrimas de um céu que também se emocionou com o que eu sinto e que agora precisa lavar minha alma. E pra que ainda tinha dúvidas: lá vem ele, de novo, o amor...

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