E..

by - março 04, 2012

E fico aqui sentada. Apática.
E de vez em quando choro. Sinto bem lá no fundo.
E de vez em quando, sinto raiva. Como se algum sentimento explosivo preenchesse esse tal vazio, irradiasse por todo o corpo a sensação de cura, de adrenalina misturada com paz.
E também sorrio, tantas e tantas vezes forçando esses dentes amarelos a olharem pro mundo. A enxergarem o que o coração não consegue e os olhos já desistiram de tentar.
E já não temo multidões como antes. Pois agora reconheço em vários rostos a mesma sensação que tenho de não pertencer a lugar nenhum, a ninguém, a nada e, ainda assim, precisar urgentemente de tudo e de todos.
E tento andar firme, com passos de quem parecer saber pra onde vai, mas piso no chão como quem pisa em falso, dança numa núvem, leve, majestoso, mas ainda assim, temeroso. Como se a qualquer momento um buraco fosse abrir-se no chão.
E vivo como se houvesse mil e uma coisas a perder, quando sei que já não há muito. Nunca houve, me arrisco a dizer.
E continuo sonhando, tola e ingênua. Acreditando no amanhã como um dia melhor e descrendo absolutamente do hoje. Fazendo planos, desfazendo malas, jogando lixo fora, indo e voltando dos lugares. Carregando o meu fardo invisível sob as costas curvas e sob o sol que torra as minhas expectativas.
E escrevo. Na esperança de entender, de explicar e de confundir. Vocês e a mim mesma.

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