Carta pro Zé

by - maio 29, 2012

Oi Zé, eu de novo, só pra variar né?

Meus dias estão loucos e ando com uma saudade irracional das nossas conversas, de sentir que eu posso contar com alguém no mundo, mas não qualquer alguém, só um alguém como você.
Sabe Zé, tá tudo tão confuso pra mim e antes mesmo que eu te diga o porquê imagino que você tá fazendo aquela cara de "menina, você não tem jeito, de novo?". Pois é, Zé, de novo.
A vida continua morna, mas minha atitude perante tudo têm sido tão fria. Tô cansada dessas grades, meu amigo. Cansada mesmo. Esquece todo o meu drama, toda aquela vitimização, esquece. Tô falando de coisa séria agora. Tô falando de uma vontade absurda de sair da bolha e ver se eu aprendi, mesmo que só observando, como é que se manuseia essa máquina chamada vida. Eu quero me testar, Zé. E quero pode te escrever dizendo que me surpreendi. Quero te dizer num dia chuvoso de domingo que tá tudo bem comigo, de verdade, que eu tô sorrindo e que não tô ouvindo as velhas músicas tristes enquanto escrevo pra alguém que não sabe de mim. Esse jeito torto de ser tá cada dia mais fora de mim, Zé. E eu sei que você tem percebido minha vontade de mudar. Eu sei. Você me percebe melhor do que ninguém.
Mas Zé, me diz porque essa fase justo agora? Agora que eu tenho tantas responsabilidades, tantos compromissos. Agora que meu crescimento depende mais de mim que do que de qualquer outra pessoa. Eu não entendo. Eu devia estar ciente de que não posso fazer isso agora. E talvez eu esteja, mas não dá pra segurar esse grito, não dá Zé. Já calei por muito tempo.

Aguarde notícias minhas. Pretendo te surpreender.
Você ainda vai me escrever dizendo que está orgulhoso e que sabia que eu podia ser aquela pessoa, que sabia que eu conseguiria amar com aquela plenitude e tirar as amarras do peito, das mãos e, antes de tudo, das escolhas. Espera por mim, Zé. Meu lugar é nesse mundo aí, do seu lado, sendo livre. Aquece o meu chá e separa aquele livro que tem a capa azul, eu te prometo Zé, dessa vez eu vou. E sem data pra voltar.

De quem te vê em tudo e te ama como sempre,
sua amiga sem jeito.

Um beijo na covinha da bochecha. 
E um pouco mais de paciência comigo.

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