Crônicas paralelas

by - maio 29, 2012

Hoje peço licença pra reproduzir aqui uma crônica incrível que eu li num dos meus sites de consulta diária favoritos, o crondia.blogspot.com (vale a visita!). Essa crônica me tocou muito e me identifiquei a cada palavra. Foi aquele tipo de texto que você lê e imagina: eu nunca tinha pensado com essas palavras, dessa forma tão sublime. 
Gostaria de parabenizar a autora (que não deve nem saber que esse blog existe, mas tudo bem). 
E aviso de antemão: se o resultado não for encantamento, refaça as contas. Nessa matemática não há erro, o final é sempre de tirar o fôlego.


Alguém deveria ter me dito que a culpa não foi minha. Não aliviaria a dor, mas pelo me tiraria esse fardo das minhas costas. E a dor sem fardo tem a obrigação física de ser mais leve. Teriam me poupando do peso e da perda de um tempo irrecuperável que passei me questionando: por que eu fui ligar na hora errada? Por que eu fui reclamar por estar sendo tratada friamente? Por que eu fui pedir demais se, ai que pretensão, eu nem mereço tanto assim? Sempre com a sensação de ter feito a coisa errada, sempre com a sensação de ter estragado tudo. Mais uma vez.

Quando é que eu vou aprender? Eu queria saber quando eu iria mudar de fase e ser perfeita. Porque eu achava que eu precisava ser outra. Porque eu achava que eu tinha que parar de criar motivos que culminassem no fim de todas as minhas relações. Já que ninguém me disse, precisou a vida me dizer. E veio a grande descoberta: nunca existiu motivo algum. Sempre existiu pretexto. E sabe qual é a diferença entre motivo e pretexto? Pretexto pode ser qualquer um. Pode ser um telefonema na "hora errada". Mas pode ser também uma caneta que você deixou cair no chão. Simples assim. Pretexto é a arma de quem está na relação por estar, sem vínculo, para passar o tempo ou coisa assim. Arma que, mais cedo ou mais tarde, vai ser apontada pra você. Não adianta se iludir, achar que as coisas vão mudar, que vai acontecer um acidente nuclear e a radiação vai fazer a pessoa te amar loucamente. Não vai. Isso também ninguém me disse. Foi a vida.

O amor não vinga em canteiro que não é diariamente regado. Aprendi e anotei no meu bloquinho, onde consta também que: se uma pessoa te ama, ela não vai terminar com você por qualquer crise de choro. Nem pela diferença de idade entre vocês, nem pela diferença de escolaridade, nem pela diferença econômica. Nem por nenhum outro pretexto. Nem mesmo pela famigerada distância. Eu que já me culpei por morar no lugar errado (o cúmulo da "síndrome do mosquito do cocô do cavalo do bandido", eu sei. Mas não se preocupem, já fiz terapia) aprendi que a pessoa que te ama vai atrás de você seja onde for!

Não vou fazer a vítima e dizer que aprendi a duras penas. Aprendi a macias e sedosas penas. Plumas de ganso eu diria. Mas os momentos bons também ensinam, sabia? Eu não sabia. Agora eu sei. Sei também que não preciso me culpar por não ter sido perfeita. Culpa e perfeição, aliás, sequer precisam fazer parte do meu vocabulário. No momento, só uma palavra interessa: agradecimento. À vida, por ter me mostrado, de um jeito tão bonito, o que ninguém nunca me disse.

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