Se tivesse um título legal, não seria eu.

by - agosto 15, 2012


É muito difícil começar um texto dizendo de cara do que ele vai tratar. Acho até um suicídio fazer isso, tira toda a diversão que é ir conhecendo a história a cada linha, pouco a pouco, reparando nas vírgulas, pontos e exclamações, pausas necessárias para respirar.
Com as pessoas também devia ser assim. E acho que pra muitas, na verdade, ainda é. Ninguém conhece ninguém de cara. Me arrisco a dizer, inclusive, que ninguém nunca conhece ninguém, porque a gente muda o tempo inteiro e nossos comportamentos dependem da situação na qual nos encontramos. O que pode acontecer, acredito, é que determinadas condutas em determinadas situações se tornam previsíveis. E se a pessoa que observa estiver apaixonada, lindas também.
Só quem conhece, convive e ama pode saber que você vai deixar a embalagem de chá sempre perto do microondas e fazer piada do formato dos ovos. Só quem está sempre observando o outro é capaz de reconhecer as rugas que surgem durante uma cena triste no escuro do cinema. Só quem ama reconhece o pedido que uma mão fria faz à outra, como se suplicasse um abraço. Quem está perto é quem pode dizer que você fica linda naquele seu vestido preto, mas fica mais linda ainda no moletom cinza do colégio enquanto pinta as unhas dos pés.
O amor e a convivência são duas dádivas e geralmente só funcionam acompanhadas, se não o amor e posteriormente a convivência, o contrário. Estas duas coisas fabulosas que a natureza inventou nos fazem observar o outro com mais cuidado, carinho e atenção. São elas que nos fazem chegar em casa numa sexta, depois de uma semana de trabalho, e ter a certeza de não querer estar em nenhum outro lugar do mundo. Ou vá lá, pode-se até querer estar em outro lugar do mundo, mas uma coisa eu garanto: será do lado da mesma pessoa.

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1 comentários

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