Um amor e dois clichês

by - setembro 30, 2012

Sabe, muitas e muitas vezes eu ficava imaginando o que diria nessas cartas. Me pegava sonhando com as frases feitas, as coisas clichês, em como te faria perceber o quanto sua chegada era importante, o quanto esperava por isso. E, hoje, finalmente, quando você está aqui e eu também, quando o eu virou nós, fico tímida diante das palavras. Fico sem saber como mensurar o meu carinho, como te dizer, assim, em palavras mesmo, o quanto é especial saber que você está aqui.
Tão bonito ter alguém que compreende o meu tempo, que segue meu compasso, que respeita meu espaço, que me invade sem pedir licença, mas deixa tudo no lugar. As vezes, quando a gente tá junto, minha garganta fecha e a voz embola diante da vontade de dizer tanta coisa. Eu sinto tanta coisa, tanta que chega a doer. Mas doer de um jeito bom, uma dor que, por mim, pode se estender bastante por bastante tempo.
Eu lia Quintana, Pessoa, Drummond. Eu ouvia Djavan, Marisa, Chico. Eu via de perto a rotina de casais apaixonados, mas pouco sabia do que era se sentir assim. Hoje eu sei. E sei tão bem que poderia escrever um livro, mas resolvi te escrever uma carta, como faziam os velhos amantes, especialmente quando sabiam que sua morte era próxima. Deixavam uma carta de consolo pro seu amor, pedindo que ficassem de pé, fortes e serenos. Meu bem, se eu morrer vai ser de amor. Desse jeito bem piegas é que te digo: fica comigo, mas só fica se for pra morrer disso também. Só fica enquanto for bom pros dois, o que eu espero que seja até perto daquele dia em que nossos cabelos vão perder a cor e a pele, a rigidez.
Agora escrevo pensando em você, mas é um pensar diferente de antes. Hoje eu penso em alguém real, tão lindo, tão cheio de detalhes, de coisas que eu quero saber, de ruas pra descobrir, de muito amor. Antes, eu pensava vagamente em alguém. Que bom que a vida me surpreendeu e aperfeiçoou meus pensamentos dessa forma. Que bom que a vida me trouxe você. Que bom que a vida levou embora o meu medo. Que bom que a gente tá junto. E que bom que a gente vai continuar assim.
Eu queria te dizer, por último, dessa vez sem engasgar, ficar vermelha ou soluçar, que eu sempre me imaginei dizendo eu te amo. Mas nunca de uma forma tão sincera. É, eu te amo.

Com amor,
sua namorada.

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2 comentários

  1. Que lindo, lembrei de quando eu escrevia cartas... Quando eu havia motivos, dos quais busco hoje, para escrever. Sinto tanta disso.

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  2. Não tenho o que declarar. Conheci seu blog hoje mesmo, e achei realmente profundo e perfeito. Gosto das palavras, mas as vezes eu as perco. Sou tomado pela emoção. Elas saem como ganidos, sem sentido, doloridos. Prefiro escrever. Eu escrevo cartas diárias, para alguém que nem ao menos sabe que existo. Simples assim. Como você disse "Antes, eu pensava vagamente em alguém" - Esse é o meu estado. Espero que a vida me traga esse alguém, Mas que seja especial. Alguém que eu possa sinceramente dizer "Eu te amo", sem delongas, sem falsidades. Simplesmente verdade.

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Não vá embora sem deixar sua marca no meu universo.