A falta que faz.

by - outubro 26, 2012



Que falta faz um querer bem nas noites frias e nas noites quentes. Que falta faz um amor no calor dos trópicos e no inverno dos pólos. Que falta faz gostar de graça, sem exigir troca, se doando por querer, por afeto. Que falta fazem os sorrisos desenhados na neblina da janela, enquanto bobos, rimos das caras feias de quem passa do lado de fora. Que falta faz enxergar a vida pelos olhos de outro alguém; olhos mais doces, vidrados, apaixonados, sorridentes. Que falta faz o outro quando a gente tá perdido de si mesmo. Que falta faz o outro quando a gente já encontrou a si mesmo, e tá louco pra compartilhar o que é. 
Que falta faz um abraço que guarda o mundo, todos os universos existentes no coração de quem ama, mas que também é humano e erra. Guarda, aguarda, respeita, espera, cuida. Que falta faz o toque macio e a voz áspera, porém tão calma, que caminha pelos ouvidos causando arrepios.
Que falta faz o entrelaçar dos dedos, dos corpos, dos lábios, das almas, num movimento fluído e ao mesmo tempo estático, de plena apreciação, contemplação, de um desejo enorme de petrificar o momento, salvar cada pedaço numa pasta suspensa no arquivo que a gente traz na memória.
Que falta das esquinas coloridas porque viram nossos passos caminhando lado a lado. Que falta das flores que se abriam fosse primavera, verão, outono ou inverno, só por ver o seu sorriso passear por entre elas. Que falta do aconchego das palavras e dos silêncios, do conforto de não precisar ser nada além daquilo que se é, da tensão das quase-brigas, que terminam sempre com a compreensão e o respeito que fica acima de qualquer coisa. Que falta do romantismo das páginas de anúncios, que inebriadas, buscam o amor eterno de alguém que desistiu de procurar pelos meios convencionais. Que falta das flores, dos chocolates, ou de nada disso, mas do mundo doce e florido que alguém está disposto a se entregar por puro e simples amor. Acredita quem quer, mas entregar o melhor e o pior de si mesmo é mais do que um ato de amor. Entregar-se sem pedir-se de volta, entregar-se sem exigir troco, recibo. Entregar-se e não devolver-se. Que falta que faz.

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