Navegar só

by - novembro 01, 2012




Quantas pessoas você considera realmente preparadas para adentrar seu espectro pessoal? E destas, quantas você acredita que compreenderão seus traumas, olharão com afeto para as tuas feridas e ficarão em silêncio perante as tuas dores? Indo mais a fundo: ainda que existam tais pessoas, não seria egoísmo demais pedir que elas segurassem o peso de uma cruz que é só sua?
A verdade é que não viemos à vida para dividir pesos com alguém. Viemos, na verdade, para carregar os nossos, cada qual com suas artemanhas. O papel do outro é de motivação, apoio, incentivo para que consigamos; jamais de alguém que toma pra si e segue carregando amarras estranhas. Pelo menos é assim que eu enxergo.
Os maremotos internos e as tempestades constantes são rotas a serem percorridas por um marinheiro só, navegando com seu barquinho e detendo-se apenas à fé e à esperança de dias melhores, de águas mais tranquilas. Os outros podem ser faróis, estrelas, rosas-norte, guias no meio da escuridão, mas não colocarão as mãos sob os remos, o leme ou o timão para guiar os rumos do barco solitário. A bonanza virá depois e o mérito será inteiramente dos que atravessaram a tesmpestade, mas mais especialmente de quem conduziu a embarcação de si próprio.
Diante dos problemas, não espere a solução vinda de alguém. Seja a solução. Aprenda a lidar com seus problemas, a internalizá-los antes de esperar que alguém os compreenda. Seja maduro, resiliente, recolha-se ao abrigo da própria alma. Não é justo depositar suas dores em quem também tem dores para carregar. Pode também não ser justo sofrer sozinho, mas quem disse que a vida é sempre justa? É a injustiça que nos dá dimensão da importância da justiça, da equidade. Então, que soframos com a injustiça de vez em quando também.
A boca acostuma ao sabor amargo e, pouco a pouco, faz sê-lo bem mais doce do que a primeira prova. O ser humano é o paladar que se acostuma. O homem é determinado por suas necessidades. É condicionado por seu contexto. E também por suas dores. Então, que doa. Que sangre. Que machuque. Em silêncio, claro, para não despertar as dores alheias.


"Talvez eu deva ser forte,
pedir ao mar por mais sorte
e aprender a navegar..."

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