Do outro lado

by - janeiro 21, 2013



Tudo aqui é meio surreal. Desse lado da fronteira, debaixo de todo esse sol e todo esse rancor só resta aos prisioneiros imaginar como seria estar do lado de fora. Ninguém sabia que o inferno podia ter grades invisíveis até chegar aqui, e agora, nós, todos, sonhadores ou não, estamos reféns.
Quem vê de fora supõe que somos livres, que estamos apenas acomodados à essa realidade. Quem vê de fora supõe que nossa grama é mais verde e nosso riso mais sincero. Quem vê de fora não sabe que dormimos e acordamos camuflando a tristeza, escondendo as lágrimas e rezando com força e fé para o próximo dia nascer diferente.
Aqui a vida não é livre, tampouco o que somos. Aqui somos cerceados, obrigados, condenados. Aqui, acredito, deve ser o último lugar do mundo, os sete palmos abaixo do chão, o lugar para onde ninguém quer ir e onde ninguém quer estar. E é aqui que eu estou. E é aqui que, calada, permaneço, suportando. Porque é apenas o que eu posso fazer, já que não tenho escolha, saída ou opção. Já que não tenho alternativa.
Um passarinho do outro lado me disse pra fazer o que desse na telha. Começou a chover. Chorei.


Porque é só isso que eu posso fazer...

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