Supervalorizando o óbvio

by - janeiro 28, 2013


 De vez em quando me batem essas urgências. O coração aperta, a respiração trava. E é como se qualquer beijo fosse amor, qualquer esquina fosse Paris, qualquer corpo fosse quente, qualquer voz arrepiasse e fizesse estremecer em mim um desejo ardente, profundo e dilacerante.
 
Que estranha mania essa de querer enxergar amor em todo lugar, quando, na verdade, falta muito dele até de frente pro espelho. Talvez eu fuja um pouco da realidade ao insistir na concretude das minhas ilusões, mas este é um terreno fértil e seguro, onde tenho mantido meu coração trépido e incrédulo num ritmo constante, embora pouco confortável.
 
De vez em quando, a solidão me visita. E ela é ótima, exceto quando, ao invés de sozinha, me faz solitária; exceto quando prolonga sua visita a um martírio diário de pensar no porque a ausência de alguém afeta tanto.
 
Talvez seja eu apenas mais um exemplar de ser humano carente, pouco ciente e seguro de si. É, daqueles tipos dóceis e muito fáceis de agradar - tão pouca é sua expectativa-, extremamente dependentes, fragéis e tão famintos pela satisfação que só através do toque, do tato, do cheiro, do convívio e da intimidade com o outro se criam, que parecem não pensar em outra coisa.
 
Na tentativa frenética de suprir o que quer que seja esse buraco negro em meu peito, qualquer um na rua passa a ser o grande amor, como se a busca desenfreada e desesperada por alguém fizesse qualquer estranho ser, talvez, a pessoa certa, a quem você procurou com tanto afinco e por tanto tempo.
 
A necessidade nos torna menos exigentes e é assim que nos desiludimos, porque aceitamos a condição de precisar tanto de algo que ele passa a valer muito mais pelo que representa do que pelo realmente que é.

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2 comentários

  1. [Been there, done that.]

    Uma hora aparece alguém e desanda com tudo isso. Resta esperar (sei que a paciência não é um dos seus fortes, então, fique atenta: tomar atitude, ir à luta, às vezes faz milagres acontecerem).

    Beijo!

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  2. Lari, você é uma artista! Não só descreve o que acontece com você, como também consegue incluir os leitores e nos identificamos cada vez mais com os seus textos. É sensação do tipo "como eu não pensei nisso antes?" é "exatamente isso". Estou preparando um post mais trabalhoso essa semana, mas assim que ele ficar pronto, quero fazer um sobre você, nem que seja só pra deixar guardado no arquivo. Você, que é uma Nordestina tão linda, tão sensível às palavras, que escreve por paixão, por desabafo, por vontade de evacuar tudo e deixar só o que quer dentro do peito – pena que nem sempre conseguimos, né? -.
    Há anos conheço o seu trabalho e já saí aqui do universo paralelo (quando era annalarissa.blogspot.com kkkk) chorando ou simplesmente encantada com o dia-a-dia que você escreve. Esse universo não é nada paralelo, mas o seu, que você consegue descrever e vivê-lo muito bem. O de carne e osso, esse sim é o paralelo, onde nem sempre podemos demonstrar a essência de quem somos. Beijo, princesa, bom fim de semana.

    P.S: Sobre me seguir, o blogspot ta frescando e eu não to conseguindo colocar o coisinha :/ mais dia, menos dia, consigo (: Xero ;*

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Não vá embora sem deixar sua marca no meu universo.