Viva e deixe viver

by - abril 02, 2013

Dia 21 de março é considerado o dia internacional da síndrome de down. Sim, isso foi há alguns dias atrás e o motivo de eu estar escrevendo sobre isso somente hoje é só um: precisamos aprender a respeitar e amar uns aos outros todos os dias, pouco importa se ele tem um cromossomo a mais ou se criaram um dia específico para homenageá-los.

Numa sociedade que insiste em modelos de padronização física, comportamental e intelectual, mais do que nunca, é preciso olhar com muito carinho para os que nem sempre seguem o script. A diferença pode residir numa síndrome tanto quanto pode residir numa ideologia, numa escolha de vida, numa postura diferente. Nós fazemos a diferença porque ela reside em nós. E cada um de nós, mesmo os mais "iguais", somos desiguais. Somos um conjunto de desigualdades, que vão se assemelhando e criando identidade. No fim das contas, um grupo é desigual da mesma forma e aí formam um conjunto muito grande que se assemelha entre si: uma maioria. Isso não significa que as minorias mereçam ser excluídas, desprezadas ou marginalizadas, pelo contrário. Não pertencer à maioria não é um pecado, tanto quanto pertencer também não o é. Cada um precisa apenas estar consciente de si, ciente de suas próprias escolhas e respeitoso para com o modo de vida dos outros.

Por tudo isso, esse post é um incentivo à tolerância, ao respeito e ao amor. Se você olhar pro lado, vai ver que ninguém é você, portanto, não julgue que os outros devam pensar ou escolher como se fossem. Homossexuais, negros, portadores de síndrome de down, mulheres, religiosos ou simplesmente seres humanos. Seja lá que características específicas alguém traga para ser considerado "diferente" ou rotulado de alguma forma pela sociedade, essa pessoa ou grupo não deixa de merecer o nosso respeito.

Ninguém é obrigado a ser homossexual ou cristão. Ninguém vai te obrigar a amar uma mulher ou um portador da síndrome de down. E ninguém também pode te obrigar a respeitá-los, nem mesmo a lei, ainda que tente - porque se conseguisse não haveriam tantas transgressões. Mas o respeito não é mesmo algo que deva obrigar uma postura. O respeito, na verdade, deve derivar de uma vontade consciente e plenamente manifestada, que surge do simples fato de aceitar que ninguém pode se sujeitar a ser o que você acha que deve ser. O respeito deve ser inerente à natureza humana e deve dar margem de liberdade para que cada um aja conforme o que considera bom para si, desde que, claro, isso não implique num desrespeito à coletividade.

E é ai que costumam fundamentar as teses radicais contra as minorias: "eles estão desrespeitando a gente". Não, não estão não. Eles estão exercendo um direito de escolha, de vida. Eles estão sendo o que são.

Por isso, vamos exercitar a tolerância. Ninguém pensa igual. Gestos de carinho, atenção, respeito e solidariedade gratuitos só nos fazem elevar a fé na humanidade e eu sei, do fundo do meu coração, que ainda existe gente boa e capaz de tais atos. Basta deixar florescer, aprender a aceitar o que não se pode mudar e a conviver com aquilo que você não concorda (sem generalizações, claro).

E aqui está a prova de que somos diferentes: muitos de vocês podem discordar do que eu disse, mas é assim que deve ser. É o diálogo que vai construir, não as trincheiras de guerra e as armas de destruição em massa. Desarme-se ao olhar para o outro e ele também saberá te olhar de volta com a mesma gentileza. E se não souber, tudo bem. Nem todos aprendem a lição, mas é importante tentar.

No dia internacional da síndrome de down, criado pra homenagear seres lindos e iluminados, que vieram ao mundo com um cromossomo especialíssimo a mais, ou em qualquer dos outros dos dias do ano e diante de tantas outras situações e pessoas rotineiras, saibam mostrar amor em suas ações. Sejam tolerantes, pacientes, compreensivos, acolhedores, amáveis. E, acima de tudo, sejam vocês. Estejam dispostos a lançar um olhar ao invés de um tiro, de estender a mão ao invés de bater. Porque se não meus amigos, é a gente que vai apanhar. Apanhar da vida. E ela bate mais forte do que todos.

Viva e deixe viver!

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