Devaneios aleatórios

by - maio 30, 2013

Engraçado é quando você se olha no espelho e vê que não é aquilo que gostaria de ser, que não está a dois passos do paraíso, mas sim, a um de algum lugar que não está no mapa. Seus números não foram os escolhidos no sorteio. Seu celular não foi premiado com nenhuma promoção, ainda que falsa. Suas escolhas que pareciam tão firmes e certas se redimensionaram para alguma realidade paralela. O travesseiro já não oferece o mesmo conforto, porque abarca o peso das consequências que você não podia prever. O fardo da vida que já não era leve, cresceu a ponto de te desestabilizar.

E então, com a visão meio turva e os pensamentos mais ainda, você se senta no chão e pensa em como tudo é engraçado. E como ser engraçado, às vezes, pode significar não ter graça nenhuma.

Pelo menos pra você.

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2 comentários

  1. Era uma noite qualquer.
    A mesma lua, as mesmas estrelas. 
    O frio de sempre, a neblina a me cercar.
    Era São Paulo. Era eu, de novo, sem conseguir dormir.

    E, mais uma vez, alguém dentro de mim - ou muito perto - tinha algo a me dizer.
    E a voz - que era minha, mas vinha de fora - começou a sussurrar em meu ouvido.
    E quem era (ou sou) eu para não ouvi-la?
    Levantei-me e, em silêncio, anotei o que a voz dizia.

    Era poesia? Acho que não.
    Era um recado, um favor que eu fazia a um velho desconhecido.

    Era só mais uma noite de insônia.
    Era.
    Era porque, de repente, o recado acabou.
    Três segundos de pausa e de dúvida.
    Até que a voz voltou, mais nítida e ainda mais perto.

    Como quem soletra um antídoto, soprou títulos, frases soltas, expressões.
    Impiedosa, transformou sussurros em gritos.
    E, me puxando forte pela mão por um caminho tortuoso, 
    Antes de me derrubar, apontou teu rosto e me deixou ao teu lado.

    Você estava linda, como na única foto que tenho de ti. 
    O sorriso perspicaz, as unhas impecáveis. 
    O mundo preto e branco. 
    Toda paisagem tão discreta quanto aquela árvore.

    Eu agradeci, mas a voz não me disse de nada.
    Eu estava sozinho ao teu lado.

    Li seus textos, seus sentimentos.
    Senti arder os braços e vi que cada uma daquelas palavras estava cravada em mim.

    Ouvi tua voz, senti teus lábios, tua respiração.
    Ofegante, pensei em desistir, mas lembrei da voz que me levou até você.
    Aquela voz era minha.

    Escrevi essas palavras e prometi não assinar.
    Não é justo. 
    Esses versos são tão meus quanto seus, Lari.

    Eu não quero ser seu Zé.
    Não desejo ser importante.
    Não trago expectativas.

    Eu quero que você roube meu sono,
    Dia após dia,
    Até a hora de dormir.

    Boa noite.

    Guifetayo@gmail.com

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  2. Obrigada por considerar esse universo digno de tais palavras. Não me restou muito a dizer. E talvez seja até mais digno permanecer nas entrelinhas.
    O meu reiterado agradecimento, ainda que, ao contrário das tuas, as minhas palavras digam tão pouco.

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Obrigada por chegar até aqui. Não vá embora sem dividir algo comigo.