Namorar é preciso, viver não é preciso

by - maio 30, 2013




A imposição por um relacionamento se tornou fonte de segurança para as pessoas nestes tempos modernos. Volta e meia escuto um "mas cadê o namorado?", como se isso me desse algum tipo de certificado de qualidade. Como se namorar fosse agora o selo do INmetro, mostrasse pra todo mundo que você é sujeito decente e confiável.
Eu, apesar de ser romântica, escrever cartas de amor sem destinatário e incentivar (e muito) o amor, olho pra tudo isso com olhos de verdadeira descrença. Relacionamentos viraram um posto, um troféu, um lugar de destaque que alguém precisa alcançar pra ser bom, pra ser notado. E não é bem assim.
No auge das minhas quase vinte primaveras, nunca tive namorado. Acho isso uma coisa séria demais pra ser tratada desse jeito, pra ser exposta como moeda de troca. Numa geração de relacionamentos instantâneos, o espaço entre conhecer e namorar alguém pode se dar em um ou dois meses, isso para ser generosa. Tudo é efêmero, instável e urgente. A velocidade dos meios tornou-se também a velocidade das relações.
Fica difícil enxergar futuro nisso tudo. Fica difícil acreditar no amor. E o mesmo processo a gente observa na direção contrária, com os solteiros promíscuos, que cantam um hino à liberdade, mas esquecem que são presos como qualquer um de nós.
Não é raro ver pessoas sem a mínima estrutura emocional envolvidas em relacionamentos, tateando no escuro, como cegos em busca de um alfinete, sabendo que é latente e inadequação daquela situação. Longe de mim querer julgá-las, mas não seria mais prudente se recolher e procurar amadurecer até que num determinado momento estivessem prontas para tal? É o que eu penso. É o que eu busco fazer. Nem sempre a gente aprende na porrada, as vezes só é preciso esperar que nós mesmos encontremos o caminho.
Numa era de promiscuidade e abuso da imagem, quem zela pela discrição é anormal. Quem se preserva e se preocupa, é hipócrita. Quem prefere não abrir mão de dizer "ei, ainda não tá na hora" ou "não é isso que eu quero pra mim", é um monstro. Mas olha, monstruosos mesmo são os resultados dessas relações moderninhas, que deixam sequelas profundas em todos aqueles que se arriscam a velejar na tempestade sem a mínima estrutura. 

Porque tudo tem o seu tempo, e mais ainda a sua hora. 
Mas não adianta nada esperar com um relógio sem pilha.

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