Aparar arestas e ceder espaço aos rebentos

by - novembro 30, 2013

Foto aleatória. Se alguém souber os créditos, favor avisar :)

Basta um corte de cabelo novo para inaugurar uma sentença de recomeço. As fotos, mesmo que de apenas uma ou duas semanas atrás, parecem velhas demais pro seu novo eu. É como se uma tenra e vicejante realidade se instalasse, renovando os ares da vida, com apenas o recortar de alguns fios. Fios esses que apenas nos prendiam a antigas concepções e à segurança do que acreditávamos ser.

Este é o efeito da mudança em nossas vidas. Faz tudo o que éramos parecer velho e sem sentido, mas não menos importante para o nosso crescimento. Cortando os cabelos, fortalecemos os fios, que crescem mais saudáveis. Mudando a vida, fortalecemos a nós mesmos frente às adversidades.

Por isso é tão importante ousar novos cortes. Experimentar enquanto é possível. Renovar nos faz ampliar a noção de quem somos e de quem queremos ser, nos faz aumentar o leque de possibilidades perante o futuro. E o melhor é que, caso a mudança não frutifique, sempre é possível retornar aos cortes antigos; e mantê-los, se provados os mais adequados.

Existem milhões de fórmulas pré-corte. Uns dizem que devemos alinhar à forma do rosto, uns ao tipo de fio, outros à personalidade, mas, na verdade, a regra é uma só: te faz bem? Não adianta repartir o cabelo de lado se você entorta a cabeça em razão do peso acumulado. O equilíbrio deve partir daquilo que você considera adequado.

Sempre vai ter quem diga "fulano mudou tanto". Que ótimo! Significa que fulano está tentando descobrir o que é melhor para si. Os conservadorismos devem ser relativizados. Corte os fios que te ligam às velhas concepções, se elas já não te satisfazem. Inaugure o que faz sentido para você. Pode ser um corte novo, sim. Ou pode ser um adeus ao trabalho que não te estimula, às pessoas que não te despertam o bem, aos objetos que nada te agregam. Cortar é necessário para florescer.

O que te prende ao velho corte é a segurança do que você acredita que é? Da imagem que passa? Algo muito melhor pode despertar de um pequeno passo, que é aceitar se enxergar de outra forma. Diante do espelho, ou numa conversa consigo mesmo. É preciso também respeitar o tempo das mudanças, cuidar delas (hidratar os fios, diga-se), frequentemente certificar-se do rumo que elas tomaram. E, mais uma vez, florescer.

Não só na primavera.

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