A vida tá de zoeira

by - setembro 23, 2015

Se o assunto é amor, dá um pulo no @coisasboasacontecem :)

Para ler ao som de: Nenhum de nós - Dança do tempo

Há algum tempo atrás eu simplesmente não me imaginava gastando um centavo no Subway. Algumas amigas que moram fora, quando vinham passar as férias na cidade, sempre intimavam, embora a mim não soasse convidativo montar um sanduíche confuso, num local cuja logística eu não compreendia e que ouvia o "pode esquentar?" da atendente como "pode pegar", fazendo com que eu acrescentasse cream cheese até comprometer o salário do resto do ano. Pois é, mas vocês vejam só como as coisas são: de dois meses pra cá, se eu fizer as contas, o sangue nas minhas veias se transformou em molho parmesão com azeite e nas minhas entranhas só há queijo, alface, azeitona e algum acompanhamento que geralmente é peito de peru ou frango.

A mesma coisa aconteceu com sushi, yakisoba e açaí: bastava existir um estabelecimento fornecendo esse tipo de comida para que eu fosse total e absolutamente indiferente e me questionasse nos momentos de reflexão filosófica o porquê de alguém dar, voluntaria e conscientemente, dinheiro em troca daquilo. Com a língua devidamente mordida, eis que hoje encolho o rabinho entre as pernas e saio pra comer nesses lugares toda felizinha.

Dia desses aconteceu também com um vestido que eu tinha guardado, nunca dava bola e que quando vesti me fez sentir como a própria Audrey Hepburn. Só consigo lembrar de um episódio de HIMYM em que o Ted fala de uma camisa que ele detestava e que, aparentemente do nada, o fez sentir sensacional, assim como o cavanhaque que ele julgava de um jeito e passou a adorar no visual.

Que estranha essa coisa de reciclar simpatias, ir buscar no lixo das nossas convicções coisas que a gente pode gostar de desgostar, pode querer colocar na estante de novo, ou no corpo, ou na alma. Afinal, a gente passa uma vida construindo certo e errado, legal e chato, bom e ruim, pra chegar alguma força cósmica e sem motivo algum revirar tudo, como quem diz "se vira pra colocar de volta no lugar".

Ao contrário das crianças, que sentem curiosidade por tudo, experimentam o máximo em termos de paladar, tato, audição, expandem os sentidos, a gente, que é supostamente adulto e deveria saber mais das coisas, vive engessado com conceitos e zonas de conforto que nem sabe de onde tirou, como não gostar da espuma do suco de abacaxi, de carros com bancos de couro, de gotículas que não escorrem com as outras na janela, de gente que não acredita em vida extraterrestre.

No que depender de mim, espero que esse processo de redescoberta esteja apenas começando e que me permita descer do pedestal dos preconceitos que construí por uma vida inteira, olhando pras coisas da vida de um jeito diferente, como que pela lente dos olhos alheios. Se a vista vier com molho parmesão então, só alegria.

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