O eclipse total da superlua

by - setembro 28, 2015

Percebi que depois dos 20 fica cada vez mais difícil puxar as memórias com detalhes, cores e nuances como fazia quando era criança. Dessa angústia surgiu a vontade de viver, registrar e catalogar o máximo de momentos, já que, como saudosista de carteirinha, pretendo deixar pros netinhos um bocado de lembrança bacana do que a gente viveu nesse tempo louco.

Pois bem, ontem teve eclipse total da superlua, fenômeno que os jornais fizeram questão de enfatizar: aconteceu pela última vez em 1982 e só voltará a acontecer em 2033. Não mudou nada nos impostos, na violência, nos conservantes, na corrupção, muito menos na situação dramática dos refugiados da Síria.

Mas, pelo menos em mim, reacendeu a consciência de que sou parte de uma natureza perfeita, que está além da minha compreensão e do meu entendimento e que tem o poder de fazer com que, mesmo nesse mundo cheio de coisa feia e doida, a gente acredite de novo em alguma coisa e não se desencante com o que é bom e do bem.

Alguém avisa pro Goku que uma esfera do dragão passou na minha janela ontem :)

Como é curiosa a vida que a gente não conhece e não alcança, como nos impulsiona a querer explorá-la em sua mais pura essência.

Quero um dia fotografar a aurora boreal, de preferência com mãos menos trêmulas e um bom tripé. De ontem, só restou um corpo cansado das posições malucas pra fazer o eclipse da superlua caber nos meus registros de vida, mas coube: meio trêmulo e sem gingado, 264 fotos depois, horas a fio, mas enquadrado direitinho nas lentes da câmera e da memória.

Fica decretado, então, que todo mundo deve sair pra ver a lua, os eclipses, as estrelas, pra tirar fotos, se aconchegar na sacada, na varanda ou no quintal, apoiar as crianças no colo e fazer ninho pra assistir a natureza brilhar em sua perfeição. Se não pela beleza, apenas pela gratidão imensa por fazer parte desse mundo.

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