O que eu aprendi com Procurando Nemo, Dori e o enfezadinho do oceano

by - abril 23, 2016

Observação nº 1: entenda o título aqui.
Observação nº 2: sim, eu continuo péssima com títulos




Tenho vivido dias de muita incerteza. Certos períodos são bem propícios ao surgimento de crises existenciais e creio que o final da faculdade é um deles. Não bastasse os questionamentos sobre o futuro, estabilidade e carreira, ainda há um turbilhão de perguntas sobre o que a vida tem representado.

Não sei se todo mundo passa por isso ou é mal de libriano, mas as vezes o coração fica do tamaninho de um amendoim e a gente se pergunta se está pronto pras reviravoltas que se anunciam.

Houve um tempo em que formar era apenas um ritual de passagem da responsabilidade estudantil para a vida profissional propriamente dita. Hoje, pelo menos na área que escolhi, formar pode representar vivenciar um hiato no qual sem resiliência não se avança. Ingressar de fato no mercado de trabalho pode demorar e, quando não demora, pode exigir uma dose extra de paciência para lidar com a fogueira de vaidades e o desfile de deuses, que a mim, em particular, não interessam.

É claro que todo mundo começa de baixo, e não é minha pretensão, aliás, ser grande coisa. Já me basta o aconchego de ser útil em algo que amo fazer, ser remunerada de forma justa e ter a chance de conceder aos meus conforto, saúde de qualidade e segurança e a mim a chance de viajar. Segundo uma reportagem na internet que listava características cruciais que definem se você será rico, eu não serei, especialmente porque gosto de estabilidade e zona de conforto. Que seja. Se aplica aqui o senso comum de que a gente perde a vida apenas tentando ganha-la.

Fato é que, resumindo, profissionalmente falando, não me importam os títulos de grande monta. Tenho consciência, pela minha própria posição a vida inteira, de que não é preciso estar sob os holofotes para fazer a diferença. É possível em qualquer lugar, sob quaisquer condições. O ser humano é o único com a incrível capacidade de, mesmo despido de bens, status, influência, dinheiro ou poder, conseguir fazer a diferença na vida de alguém.

Mas o caminho até o lugar que te permite respirar serenidade pode ser árduo e dar um baita frio na espinha. Eu sei, também, que não adianta espernear, o único jeito de chegar lá é "continue a nadar", mas confessar fraquezas já não me amedronta. E daí ter medo, não é mesmo? Dizem por aí que ele é um mecanismo de defesa indispensável à sobrevivência. O ponto aqui é não se deixar dominar por ele.

Comecei a questionar o caminho, os passos até aqui e os próximos que quero dar. As certezas se esvaíram na mesma fantasia juvenil de que a essa altura da vida já saberia todas as respostas. Eu sei que é só começo e que, talvez, quem sabe, não demore muito pra eu chegar lá, onde quer que "lá" seja, mas é natural imaginar a que lugares outras escolhas poderiam ter nos levado e como chegamos a esse tempo em que acertar é sempre uma obrigação.

Dia desses, enquanto colegas planejavam o próximo concurso público a prestar, eu me questionava seriamente sobre o porquê de ainda não ter ido conhecer os monges ou ver a aurora boreal, de não ter feito pelo menos uma das várias viagens que já planejei, de ter enfim consentido com um estilo de vida que talvez não me permita isso tão cedo, que adoece a tanta gente e que também tem me adoecido. Claro que, entre outros, falta grana, tempo, conseguir me virar melhor no idioma, mas e se também faltar coragem? É inevitável não pensar que a busca por estabilidade pode ser um reflexo da perda progressiva da minha capacidade de me aventurar no desconhecido. 

As vezes, só repito mentalmente que isso é uma fase, vai passar rápido, o melhor está por vir, ainda vou dar muita risada disso e todas essas coisas que a gente justifica pra livrar o foco do furacão. 

Nem eu sei muito bem aonde quero chegar com essa colcha de retalhos que virou esse texto, mas é meio o que tenho vivenciado mesmo: uma incapacidade talvez sem razão de conectar ideias lógicas, enxergar objetivamente o que quer que seja e definir resultados práticos.

Na dúvida, aprendamos com Dori: continue a nadar. 

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