As vezes os outros conseguem captar os sentimentos de uma maneira tão límpida e fiel que se torna impossível não reproduzir na íntegra. Aqui vai a delicadeza de um texto cujo autor desconheço, mas desde já parabenizo por me descrever, ainda que inconscientemente, tão bem.
“Embora eu tenha muita necessidade de falar, não acredito que alguém
tenha que carregar o fardo de me escutar. Sofro por tudo, tudo me doí,
me afeta, me rasga. A palavra que não me foi dita, a ligação que eu não
recebi, o sorriso que eu não ganhei. O reconhecimento que eu não tive.
Magoa, será?! Decepção, eu acho. Sempre tive essa mania de querer ser
demais para os outros. Ouvir demais, aconselhar demais, presente demais.
Mas nunca me senti confortável de pedir o mesmo delas, mas espero
ansiosamente que elas percebam que as preciso. E ai elas percebem, eu
fico feliz. E no meu âmago, toda aquela espera e toda aquela angustia,
são substituídas pela realização de ver que minhas atitudes resultaram e
pela delicadeza da pessoa em me notar. E isso acontece muito rápido.
Organizações cerebrais prontas pra fazer seu trabalho, sempre. E eu
respondo “ah, ta tudo bem, só tava meio angustiada. Já passou”. Ninguém
nasceu pra me ouvir reclamar e chorar por conta das coisas que me
afetam. E você não tem noção do quanto afetam. Afeto me afeta, e a falta
dele também. Dois pólos, mas que pra mim, andam juntinhos. All the
time.”
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