No meu quarto existe um mini
quadro branco. É, talvez, meu grande guru da modernidade. Dia após dia guarda
as mensagens e pensamentos que carrego como guia, como mantra. Entre frases
como “Toda glória é passageira” e “O poder corrompe”, me peguei escrevendo “eu
te amo” e desenhando corações ao vento.
Que efeito é este que você causa
em mim? Roubaste até mesmo a sabedoria do meu guru. Roubaste o pouco,
pouquíssimo de racionalidade e destreza que me restara. Levaste contigo e com
este teu sorriso torto cada pedaço de gelo que recobria meu coração. Pobre
coitado, agora arde em chamas. Escreve coração no ar. Perde a noção. Flutua. O
estômago reclama, se revira em borboletas, mas volta ao normal. Volta quando você
volta. Quando você chega, sorri e desfaz qualquer problema. Quando pega na
minha mão, ejeta morfina através da pele. Cada centímetro cúbico do meu corpo
depende do efeito devastador e maravilhoso que você causa. A dor dá uma pausa.
Persiste apenas a sensação de que ‘agora está tudo bem’.
Ah, que sorriso bobo é esse e que
charme é esse que ele esconde? Dicionário nenhum explica, cientista nenhum saber
dizer. Enquanto isso, paira sobre mim esse bocado de flecha e coração, esse
bocado de eu te amo em cada esquina e beijo de bom dia.
Essa doença me pegou em cheio. E
agora danou-se porque só tem um remédio, e olha só que clichê descobrir que ele
é você. Que clichê. Me fazendo escrever todas essas coisas bobas de amor, e
mais ainda me sentir uma boba ao ler o que escrevi. Somos todos bobos. Que
seja. Mas só se der pra ser com você.

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