Desde muito jovem, ficava fascinada quando via aviões. Era só ouvir o
barulho de um deles rasgando o céu que eu corria na janela para acenar. E
hoje, sei lá quantos anos depois, quase sempre é difícil conter a mão
que se levanta em direção ao oceano azul que mora acima das nossas
cabeças quando um deles passa. E mesmo quando não aceno, o olhar vago e
curioso persiste.
O que me encantava era achar que alguém podia me ver lá de cima. Que no
meio de tanta imensidão, de tantas casinhas e pessoas do tamanho de uma
formiga, alguém lá em cima, andando entre as núvens, ia ver minha mão
correndo pra lá e pra cá como quem diz "ei, eu também não sou daqui, a
gente se reconhece".
Por mais seguros que estejamos de nós mesmos, a gente sempre espera por
alguém que acene de volta. Por alguém que dê a certeza de que não
estamos sozinhos. Ou esperamos por alguém que nos observe, nos enxerge
em meio a multidão e, como se fôssemos um grão de milho em meio às
ervilhas, nos perceba. Porque, às vezes, a gente precisa que os outros
nos reconheçam como especiais, não importa o quanto a gente acredite ou
saiba disso internamente. Uma frase repetida mil vezes, ou perde o
sentido, ou vira verdade absoluta. E é assim que isso funciona.
A gente sempre espera pela mão que lá do alto vai nos salvar de nós
mesmos com um aceno. E então, só então, poderemos caminhar seguros de
que andar com os pés no chão não significa ter que abrir mão de uma
cabeça que vive nas núvens.
Nunca deixe de acenar de volta. Você pode ser a certeza de alguém.

Então, vou poder escrever sobre essa artista linda? Me adiciona, se sim. http://www.facebook.com/neide.andrade.90
ResponderExcluirQuero saber nome completo, data de nascimento, cidade onde mora/morou, etc. beijo Larilinda!
ps:Já ajeitei o blog, pode seguir