quinta-feira, 14 de setembro de 2017

VIDA DE BORBOLETA

Borboleta pousa no dorso da mão. Anuncia com delicadeza sua chegada. Atravessa os quatro cantos observando a vida. Não esquece que sua dádiva é ser saboreada. Entra sem bater. Converte solidão em poesia. Estaciona no canto da lente. Muda o tom do retrato. Faz a gente querer guardá-lo. Borboleta não precisa de filtro. Não carece de rótulo. Não exige um tom. Sobrevoa lépida as próprias certezas. Sabendo que no próximo minuto podem desmoronar. Chega em casa sem fôlego. De tanto suspirar por aí. Leva e traz um tanto de gente no peito
Matriz de saudade e aconchego
Se despede um pouco do mundo
Borboleta as vezes não sabe aonde ir
E deita
E dorme
E sonha
Com os amores que bateram asas
Com as asas que bateram no seu coração
Com o afago que acharam em outro peito
Com a redescoberta diária do amor
Em si
No outro
No mundo
E volta a voar outra vez
Sabendo que ainda vai cair
Mas certa de que o chão também foi feito pra dançar

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