Todos os dias o sino da escola aqui perto toca impreterivelmente
ao meio-dia. Sinaliza, fazendo alarde,
que acabou, que todos estão livres, que podem ir tomar seus rumos e construir
sua história. Parece que o sino, todos os dias, metaforicamente, me convida a
ir junto, a ser livre também.
Mas hoje ele não tocou. As crianças não saíram sorridentes
ao encontro dos pais. O barulho das mochilas de carrinho arrastando no chão não
foi ouvido. E o silêncio do som da liberdade nunca ecoou tão alto no meu
peito. Sem dizer nada, ele me disse tudo: vai, é do lado de lá que estão as coisas!
E subitamente eu entendi que o silêncio do sino queria me dizer que hoje foi ele que parou e não fez o que deveria, amanhã pode ser o meu coração parando e a vida deixando de ser o que era.
Ou vai ver era domingo e ele não deveria mesmo ter tocado...
Certas mensagens a gente só escuta quando está pronto, na hora certa, como o soar de um sino. E aí a gente vai conseguir lê-la em qualquer lugar, em qualquer situação do cotidiano. Tudo se torna a mensagem quando a gente está apto a enxergâ-la. A gente, então, compreende que, mais do que mensageiro, o que grita alto em nós mesmo no silêncio, é a própria mensagem.
Apressa-te a viver bem e pensa, que cada dia é, por si só, uma vida! alguém me disse isso! hahaha
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