Dia 21 de março é considerado o dia
internacional da síndrome de down. Sim, isso foi há alguns dias atrás e
o motivo de eu estar escrevendo sobre isso somente hoje é só um:
precisamos aprender a respeitar e amar uns aos outros todos os dias,
pouco importa se ele tem um cromossomo a mais ou se criaram um dia
específico para homenageá-los.
Numa
sociedade que insiste em modelos de padronização física, comportamental
e intelectual, mais do que nunca, é preciso olhar com muito carinho
para os que nem sempre seguem o script. A diferença pode residir numa
síndrome tanto quanto pode residir numa ideologia, numa escolha de vida,
numa postura diferente. Nós fazemos a diferença porque ela reside em
nós. E cada um de nós, mesmo os mais "iguais", somos desiguais. Somos um
conjunto de desigualdades, que vão se assemelhando e criando
identidade. No fim das contas, um grupo é desigual da mesma forma e aí
formam um conjunto muito grande que se assemelha entre si: uma maioria.
Isso não significa que as minorias mereçam ser excluídas, desprezadas ou
marginalizadas, pelo contrário. Não pertencer à maioria não é um
pecado, tanto quanto pertencer também não o é. Cada um precisa apenas
estar consciente de si, ciente de suas próprias escolhas e respeitoso
para com o modo de vida dos outros.
Por
tudo isso, esse post é um incentivo à tolerância, ao respeito e ao
amor. Se você olhar pro lado, vai ver que ninguém é você, portanto, não
julgue que os outros devam pensar ou escolher como se fossem.
Homossexuais, negros, portadores de síndrome de down, mulheres,
religiosos ou simplesmente seres humanos. Seja lá que características
específicas alguém traga para ser considerado "diferente" ou rotulado de
alguma forma pela sociedade, essa pessoa ou grupo não deixa de merecer o
nosso respeito.
Ninguém
é obrigado a ser homossexual ou cristão. Ninguém vai te obrigar a amar
uma mulher ou um portador da síndrome de down. E ninguém também pode
te obrigar a respeitá-los, nem mesmo a lei, ainda que tente - porque se
conseguisse não haveriam tantas transgressões. Mas o respeito não é
mesmo algo que deva obrigar uma postura. O respeito, na verdade, deve
derivar de uma vontade consciente e plenamente manifestada, que surge do
simples fato de aceitar que ninguém pode se sujeitar a ser o que você
acha que deve ser. O respeito deve ser inerente à natureza humana e deve
dar margem de liberdade para que cada um aja conforme o que considera
bom para si, desde que, claro, isso não implique num desrespeito à
coletividade.
E
é ai que costumam fundamentar as teses radicais contra as minorias:
"eles estão desrespeitando a gente". Não, não estão não. Eles estão
exercendo um direito de escolha, de vida. Eles estão sendo o que são.
Por
isso, vamos exercitar a tolerância. Ninguém pensa igual. Gestos de
carinho, atenção, respeito e solidariedade gratuitos só nos fazem elevar
a fé na humanidade e eu sei, do fundo do meu coração, que ainda existe
gente boa e capaz de tais atos. Basta deixar florescer, aprender a
aceitar o que não se pode mudar e a conviver com aquilo que você não
concorda (sem generalizações, claro).
E
aqui está a prova de que somos diferentes: muitos de vocês podem
discordar do que eu disse, mas é assim que deve ser. É o diálogo que vai
construir, não as trincheiras de guerra e as armas de destruição em
massa. Desarme-se ao olhar para o outro e ele também saberá te olhar de
volta com a mesma gentileza. E se não souber, tudo bem. Nem todos
aprendem a lição, mas é importante tentar.
No
dia internacional da síndrome de down, criado pra homenagear seres
lindos e iluminados, que vieram ao mundo com um cromossomo
especialíssimo a mais, ou em qualquer dos outros dos dias do ano e
diante de tantas outras situações e pessoas rotineiras, saibam mostrar
amor em suas ações. Sejam tolerantes, pacientes, compreensivos,
acolhedores, amáveis. E, acima de tudo, sejam vocês. Estejam dispostos a
lançar um olhar ao invés de um tiro, de estender a mão ao invés de
bater. Porque se não meus amigos, é a gente que vai apanhar. Apanhar da
vida. E ela bate mais forte do que todos.
Viva e deixe viver!
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