Irrompo na porta lateral do bar como furacão fora de rota. Fito meus olhos nos teus como pólvora e fogo prestes a se cruzar. Posso sentir meus pés formigando lentamente, a boca seca, reações comuns a um par de olhos como os teus. A noite, entretanto, é minha.
Me encosto num assento qualquer e sem hesitar ordeno a primeira dose. Cada gota do meu sangue terá o hálito alterado, prometo a mim mesma. Big little lies. Toca ao fundo o álbum de algum cantor que também dá nome à minha dor. E eu posso ouvir você sussurrar para si mesmo que sou o problema pelo qual você ansiava quando saiu de casa naquela noite.
Acontece que eu estava farta das armadilhas, cansada das granadas e da interminável zona de conflito que rapidamente se tornavam os meus relacionamentos com homens que, by the way, não me amavam.
Você me conheceu na pior versão de mim: amarga, espinhosa, pronta pra revidar de qualquer coisa, zombar de qualquer coisa, gritar minha mágoa não declarada na cara de quem ousasse se aproximar. E mesmo assim me amou. Mesmo assim me quis o tempo inteiro do seu lado, estava pronto para me fazer sua, minha, nossa. Foi diferente de tudo o que eu já havia vivido porque, ao contrário das outras vezes, você não pediu licença, não fez promessas, não disse que ia ficar pra sempre. Mas ficou, pelo menos até os meus cabelos amanhecerem enrolados no teu colo, no teu peito, no teu corpo.
Lembro como se fosse hoje de ouvir sua voz, aquela voz de Johnny Cash, que me arrepia até a alma, dizer mansinho: me deixa ser o que você pediu. Hipnotizante. Passei alguns segundos sem respirar pensando em como me contrapor a tamanha ousadia, mas já era tarde. Tarde demais para revidar. Tarde demais para não deixar. Já era sua antes de ser.
Te encontrei quando não havia nada para encontrar, quando havia me perdido e deixado pra lá. Acabei, sem querer, me tornando sua brown eyed girl, a garota que sintonizava seu violão no melhor acorde, que jamais supunha o carinho escondido nos dedos que rodeavam a borda do corpo quase vazio.
Então me desculpa se eu disser que não tem percalço que nos tire da rota. Me desculpa se eu disser que encontrei em você o que eu procurava nos livros, o que eu via nos filmes, o que eu ouvia nos discos. Me desculpa se eu concordar com Gabito quando diz que sou uma mulher novamente virgem minutos depois que você me abandona. Me desculpa por te amar tanto - e continuar me amando ainda assim.
Me desculpa por pedir tantas desculpas. É que nosso amor parece uma ofensa a todos os outros que, coitados, contidos e inebriados, não chegam nem perto. Eles não são nem fagulha e a gente é combustão. Queima. Pólvora e fogo, assim como na primeira vez.
Fiquei feliz. Até que enfim você apareceu aqui de novo.
ResponderExcluirDesde que eu descobri esse blog ano passado fiquei esperando você atualizar até cheguei a desistir, mas hoje lembrei de novo e aqui estou.
Até o próximo post.
Sempre estou por aqui, mesmo quando silenciosa. Essa é a graça de um universo paralelo: há sempre para onde voltar, mesmo quando não se foi embora. Muito obrigada pela visita, e não desista de voltar! =)
ResponderExcluirGostei do seu blog.
ResponderExcluirVou tentar segui-lo.
Um beijo.
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Obrigada! Chega mais, sempre cabe mais um =)
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