Toda noite batem à minha porta.
Não vejo o quê, não vejo quem.
Só a sombra no vidro fosco
me observa também.
As luzes estão apagadas,
mas o fogo ainda arde
e algo diante de mim
queima enquanto me invade.
Tento fugir,
mas não há caminho
que não leve de volta
à mesma porta.
Nada ouço além da batida.
Nenhuma lucidez me alcança.
Exausta, adormeço.
Em paz, me levanto.
Como se o vento nunca
tivesse chorado à minha janela,
como se a noite guardasse,
num baú fechado,
os segredos que só ela sabe.
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