sábado, 28 de março de 2026

Toda noite batem à minha porta.

Não vejo o quê, não vejo quem.

Só a sombra no vidro fosco

me observa também.


As luzes estão apagadas,

mas o fogo ainda arde 

e algo diante de mim

queima enquanto me invade.


Tento fugir,

mas não há caminho

que não leve de volta

à mesma porta.


Nada ouço além da batida.

Nenhuma lucidez me alcança.

Exausta, adormeço.

Em paz, me levanto.


Como se o vento nunca

tivesse chorado à minha janela,

como se a noite guardasse,

num baú fechado,

os segredos que só ela sabe.

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