Achei
que tivesse perdido a habilidade de me encantar com o outro, a
inexplicável sensação de frio na barriga somada ao desejo de rever o
mesmo rosto por pelo menos mais uma centena de vezes até o fim do dia.
Achei
que tivesse perdido o tino das coisas, o tato ao sentir as linhas do
polegar de alguém se abraçando às minhas. Achei que havia desistido de
perseguir a felicidade na pupila do outro, na covinha rasa que se abre
do ladinho do olho quando esse alguém ri pra você.
Achei
que tivesse se tornado ficção científica o desejo quente e tardio de
sentir os braços de alguém envolvidos na minha cintura, me puxando pro
alto, rodopiando, sobrevoando o escuro atrás das minhas curvas.
Achei
que tivesse ficado imune à febre de me sentir uma garotinha novamente
toda vez que sei que ele está prestes a vir, de ouvir músicas românticas
e sem sentido só pra concordar com o poeta que o amor é mesmo tudo isso
aí que as pessoas pregam.
Achei
que as minhas membranas tivessem se preparado para não mais permitir a
entrada de invasores com o cheiro de calma que você exala. Achei que
depois que a última porta se fechou nas minhas costas o amor já era pra
mim, até que você apareceu pra achar de volta pra mim tudo o que eu
pensava que havia perdido.
Desde então, continuo me concentrando nos achados. E cuido para não me perder de você.
(Nem de mim...)
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