Para ler ao som de: Kodaline - Brother
De nada me adianta ser um plural sem razão, rodopiar no vazio até chafurdar de cabeça no que deveria ser um amor e acabou não sendo nada. De tudo o que machuca, dói mais a consciência. Dói a certeza de ter entregue minhas esperas a um nômade de corpos, que viaja perdido entre tantas opções.
Eu, ao contrário, sempre te fiz residente em mim. Sempre escolhi os filmes certos, que te faziam rir e esquecer a solidão, assim como meus braços sempre fizeram. Sempre disse as rimas certas pra te fazer acreditar na vida quando a maré alta encobria sua fé. Enquanto o sol não nascia, te dei abrigo, sem considerar a névoa no olhar ou o ar de culpa. Abri as portas da minha vida pra você. E aí, você, visitante indiscreto, tratou de colocar os pés na mesa e abrir a geladeira. Tratou de povoar todos os espaços e depois simplesmente ir embora. Para outras casas, outras entregas.
Estações foram e voltaram como prelúdio de que o tempo passa e você também passaria. Mas não passou. Afinal, de que adianta mentir? Eu sempre fui tua casa, teu ninho, a espera de todo dia. Nossos signos não nos fazem compatíveis, mas o universo parece discordar. Meu coração parece discordar, bater o pé, fazer birra com quem discorda. Continuo no mesmo endereço e não seria surpresa nenhuma dizer que ainda considero a altura das folhas antes de cortá-las do jardim, como você me ensinou. Ainda observo a ciranda de margaridas no por-do-sol e te imagino sorrindo pra mim. Aceno em vão para todos os lugares em que você esteve, mas o único sinal que recebo de volta é uma brisa gélida. A espera é sempre indigesta.
Quero de volta o frescor e a insensatez adolescente, pois foram eles que me fizeram tua. Quero peles que se cruzam num corpo que se faz um só, me fazendo nua. Quero de volta a indizível sensação de ser a piscina onde você se afoga.
"Onde não puderes amar, não te demores", diz o cartaz delicadamente preso ao poste situado em frente à minha casa. E eu só concluo que é um aviso do destino chancelando o óbvio: já passou da hora de você demorar.
"Onde não puderes amar, não te demores", diz o cartaz delicadamente preso ao poste situado em frente à minha casa. E eu só concluo que é um aviso do destino chancelando o óbvio: já passou da hora de você demorar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário