terça-feira, 23 de janeiro de 2018

INVENTÁRIO

Há alguns anos alguém de quem eu gostava muito foi embora sem se despedir.

Há dias em que penso muito nele. Há dias em que a lembrança é só uma névoa que ocupa uma parte distante da minha memória. 

Hoje soube de outras três almas que deixaram o mundo precocemente numa atitude de quem flutua em calmo desespero. Nada pude fazer por nenhuma delas, assim como não pude - e deveria ter podido, meu Deus - fazer algo pelo meu amigo.

A falibilidade da vida é algo realmente assustador. A impotência diante da consciência do sofrimento silencioso de alguém de quem se gosta é ainda pior porque te faz experimentar o sentimento de não ser capaz de, mesmo querendo muito, aliviar os maremotos que alguém ultrapassa sozinho.

Em todo caso, essa experiência me guia na difícil missão de tentar não esquecer o porquê de estarmos todos aqui.

Não é para que olhemos uns para os outros como estamos olhando. Certamente não é.

Dizem que somos a média das cinco pessoas que mais convivemos e desejo ser o tipo de pessoa que, somada às outras 4 que mais convivem com alguém, realmente eleve a média para o máximo desempenho.

Estamos aqui de passagem, mas não por acaso. E temos essa dívida com quem já nos deixou: provar que mesmo quando a névoa recobre nossos olhos vale a pena viver.

Em tempos de carnaval, prefiro acreditar que o amor não acaba quando a matéria nos deixa. Ele só veste uma fantasia. Se fantasia de saudade...

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