Na volta para casa o sol atravessou deslumbrante o meu olho e no meio da luminosidade quase cegante enxerguei um batente à beira rio. Havia um vento fresco de solitude no ar e aquela atmosfera de quem começa algo novo, do zero, pela primeira vez, mas, em nome disso, deixa muita coisa para trás: uma contraditória e aparente quietude no espírito. Redundante e tão coerente ao mesmo tempo.
Sentei-me no batente com os cabelos soltos ao vento, a ponta do nariz gelada, abracei as pernas e fechei os olhos. Como quem faz uma oração, repeti para mim mesma que já era hora. De quê? Não sei ao certo. Precisava descobrir. Preciso. Mas há no peito o persistente sentimento de que já é hora. Talvez, inclusive, a hora já tenha passado e eu precise correr insistentemente atrás dela, mas é bom fazer as contas e ver que ainda cabe no meu tempo perseguir a borboleta do destino voando por aí.
Passei tempo demais contabilizando perdas, refazendo rotas, recalculando mapas e pedindo para não me perder no meio do caos. Hoje é como se só tivesse restado o suspiro final. Os destroços foram removidos para debaixo daquele tapete que a gente guarda no peito justamente para essas ocasiões. Os visitantes se deslumbram com o perfeito estado de arrumação que a vida parece exibir. E talvez pela força do fingimento repetido dia após dia, a mentira contada tantas vezes tenha virado verdade. A casa tem estado mais arrumada, mais arejada, cheia de frescor.
As vezes é como se tivesse acabado um seriado que eu acompanhei por muito tempo. É como se a vida fosse isto: um ciclo indiscreto e impiedoso de reciclar as próprias vivências e lidar com o conturbado tráfego emocional dos dias sem perder a suavidade que ostenta uma pluma se banhando no vento.
Sentei-me no batente com os cabelos soltos ao vento, a ponta do nariz gelada, abracei as pernas e fechei os olhos. Como quem faz uma oração, repeti para mim mesma que já era hora. De quê? Não sei ao certo. Precisava descobrir. Preciso. Mas há no peito o persistente sentimento de que já é hora. Talvez, inclusive, a hora já tenha passado e eu precise correr insistentemente atrás dela, mas é bom fazer as contas e ver que ainda cabe no meu tempo perseguir a borboleta do destino voando por aí.
Passei tempo demais contabilizando perdas, refazendo rotas, recalculando mapas e pedindo para não me perder no meio do caos. Hoje é como se só tivesse restado o suspiro final. Os destroços foram removidos para debaixo daquele tapete que a gente guarda no peito justamente para essas ocasiões. Os visitantes se deslumbram com o perfeito estado de arrumação que a vida parece exibir. E talvez pela força do fingimento repetido dia após dia, a mentira contada tantas vezes tenha virado verdade. A casa tem estado mais arrumada, mais arejada, cheia de frescor.
As vezes é como se tivesse acabado um seriado que eu acompanhei por muito tempo. É como se a vida fosse isto: um ciclo indiscreto e impiedoso de reciclar as próprias vivências e lidar com o conturbado tráfego emocional dos dias sem perder a suavidade que ostenta uma pluma se banhando no vento.
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