Não importa se você está no meio da multidão, no meio de uma refeição ou numa quinta-feira nublada. Quando o grande amor chegar, você saberá reconhecer. Talvez
ele esteja de pé ao seu lado na fila do banco, talvez do outro lado do
mundo, talvez você já o conheça, já o ame e se você é um desses está
na categoria dos sortudos.
Bom mesmo é ter algo ou alguém que te tire o fôlego, a razão e a noção de tempo. Que chegue mais, que chegue sorrindo, que chegue logo. Assim, no meio de tudo, atravessando uma multidão, sua refeição ou uma quinta-feira nublada. Que tire os sapatos antes de entrar, pra não chegar lambuzando sua vida com a sujeira do passado. Que peça licença, que diga obrigada, que repouse tranquilo em seus braços.
Bom mesmo é ter algo ou alguém que te tire o fôlego, a razão e a noção de tempo. Que chegue mais, que chegue sorrindo, que chegue logo. Assim, no meio de tudo, atravessando uma multidão, sua refeição ou uma quinta-feira nublada. Que tire os sapatos antes de entrar, pra não chegar lambuzando sua vida com a sujeira do passado. Que peça licença, que diga obrigada, que repouse tranquilo em seus braços.
Foi num desses becos que a gente passa na vida que aconteceu. Quando dei por mim já tinha mudado todas as coisas de lugar pra te dar todo o espaço no meu coração, pra te fazer caber no infinito mundano de cenas ridículas que eu tanto idealizava com alguém que tinha o perfil completo, dados pessoais e um pedaço enorme de mim, mas cuja identidade eu sequer conhecia.
Quando você chegou, mansa e resignadamente, me vi sentada no chão do meu quarto sorrindo à toa, cena que a gente não vê todos os dias na vida de quem já passou da fase juvenil de criar borboletas em cativeiro no estômago. Eu tinha certeza que era você, uma daquelas certezas que só os que já passaram muitas noites de sábado deitados num sofá fazendo listas, preces e afogando as mágoas em um bom livro podem ter.
Meus olhos grandes moveram-se na perspectiva dos teus e desviaram em seguida por tantas vezes que não seria possível contabilizar nos dedos das mãos. Se os olhos falassem, os meus teriam disparado em ritmo tal que a boca jamais acompanharia. Quanto mais te vejo, mais descontente fico de voltar os olhos a outra coisa.
A verdade é que em algum lugar do mundo já anunciaram nosso amor em um outdoor, em algum lugar já sabiam de nós dois, como no ano novo que começa primeiro no Japão e chega pra gente como notícia requentada. Não somos mais novidade. Lá, nesse lugar onde o tempo repousa calmamente, tudo aconteceu primeiro, antes de acontecer aqui. E agora é como se vivêssemos a aura de uma familiaridade totalmente inédita, revestida pela total crença de que a ciência já havia nos descoberto, os tratados já haviam previsto, a órbita mudou para observar, o evangelho certamente anunciou.
Em uma esquina qualquer da vida, era você. E continuaria sendo por tantas outras, ainda que se pudesse pretender ignorar os sinais.
A verdade é que em algum lugar do mundo já anunciaram nosso amor em um outdoor, em algum lugar já sabiam de nós dois, como no ano novo que começa primeiro no Japão e chega pra gente como notícia requentada. Não somos mais novidade. Lá, nesse lugar onde o tempo repousa calmamente, tudo aconteceu primeiro, antes de acontecer aqui. E agora é como se vivêssemos a aura de uma familiaridade totalmente inédita, revestida pela total crença de que a ciência já havia nos descoberto, os tratados já haviam previsto, a órbita mudou para observar, o evangelho certamente anunciou.
Em uma esquina qualquer da vida, era você. E continuaria sendo por tantas outras, ainda que se pudesse pretender ignorar os sinais.
"Eu olhava esse menino com um prazer de companhia, como nunca por ninguém eu tinha sentido. Achava que ele era muito diferente, gostei daquelas finas feições, a voz muito leve, muito aprazível. Porque ele falava sem mudança, nem intenção, sem sobêjo de esforço, fazia de conversar uma conversinha adulta e antiga. Fui recebendo em mim um desejo que ele não fosse mais embora, mas ficasse, sobre as horas, e assim como estava sendo" - Guimarães Rosa
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