Devoro-me todos os dias. Essa autofagia me regenera, me mantém alerta, me apresenta a novas versões de mim que jaziam impérvias. Há histórias não contadas de mim em livros que nunca abri na biblioteca das possibilidades. Tenho descoberto que inúmeras são as versões em que sou fraca. Noutras sou muralha. Nunca sei em qual acreditar. Gosto de me aventurar vendo minha própria vida em perspectiva. Não há nada, contudo, que supere a realidade concreta. A dureza das horas, o somatório dos dias, o inventário de nós que se dissipa em cada tilintar do relógio. Um dia novo traz consigo a melhor das possibilidades, pois factual. Tranco os monstros no quarto ao sair, driblo a morte, recolho a inocência nos bolsos e me lanço à vida na tentativa de jamais passar indiferente ao que requer coragem, ousadia, presença. De onde eu venho não se arreda o pé facilmente. Finco os meus no chão. Resistir é a minha oração.
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