Diria Dulce Chacón que "Acostumbrarse es otra forma de morir". Tenho gostado de música argentina, me esforçado para beber dois litros de água até nos dias frios, longe dos habituais copos de alumínio. Tenho conversado com Deus diversas vezes ao dia, acreditando na escuta. Me ponho a colocar um copo na porta imaginando que ouvirei as respostas de que preciso vindas do outro lado, teorizado sobre a rotina. Tenho valorizado sobremaneira o tempo ocioso da noite, substituindo o pânico e a solidão por uma luz baixa amarela, boa música e escrever. Tenho sentido vontade de ligar, abraçar as vozes, entonações, silêncios. Me pego a pensar com saudade nas páginas amarelas. Coloco-me a fazer ao contrário o que de costume mantinha uniforme. Vivo a desabituar-me do que repito em nome do costume antes que, por ele, seja engolida pelas abominações do trivial. Recordo sempre de Brecht, que disse: "Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo. E examinai, sobretudo, o que parece habitual. Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural, nada deve parecer impossível de mudar." E nenhuma de minhas palavras poderia expressar melhor o que tenho a dizer.
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