quinta-feira, 22 de agosto de 2024

Eu vejo a poesia brotar em momentos de deslumbramento. Nem sempre em palavras, como de costume esperamos que as mensagens se manifestem. Nesse dia escorreu por entre pedras milimetricamente desenhadas para parecerem um desfiladeiro. A água, quietinha, incontida, desafiava as paredes confrontantes das pedras como quem ensina a vencer obstáculos com suavidade. A água ensina muito sobre percurso. Pode adquirir a força de um tsunami ou pingar lentamente como uma goteira e ainda assim, em ambos os casos, causar estragos. Pode matar a sede, gerar energia, cair do céu (a única coisa, nesta vida, que pode) ou brotar da terra. Pode ser furiosa, mas de costume passa por nós como um deleite, fazendo um barulhinho que parece sussurrar: para onde você corre? Pode ser calma, mas sobe até a altura dos ombros enquanto parece gritar: por que você não corre?


Nenhum comentário:

Postar um comentário